IsA & TaY

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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Amizade






Ah, esse fenômeno instigante,

o das amizades que se mantêm

independentes da convivência.



Será amizade? Será saudade

comum dos anos vividos em amizade?

Será saudade dos anos felizes

ou uma afinidade

que se espraia no tempo?

Não sei responder.

Sei que com algumas pessoas

(poucas),

há uma insistência teimosa

em desejar ver,

trocar idéias e experiências,

creio, pela certeza da

reciprocidade e do "ser aceito".



Sim, talvez seja a certeza

de ser aceito,

uma das maiores necessidades

humanas neste mundo

de incompreensões.

Talvez seja a necessidade

da existência de certeza

prévia de acolhimento ao que somos,

como somos e ao que pensamos,

o fermento da amizade.



O mistério da amizade

talvez resida no alívio

que traz a existência

de alguém que nos acolha.

Digo acolha e, não, recolha

aí já seria dependência de

um lado e paternalismo do outro.



Acolher significa receber

de bom grado, previamente,

sem julgamentos ou resistências.

É molesto o fato de que os

seres humanos

vivam a julgar e que

suas opiniões prévias

interponham

barreiras na comunicação,

dificultando-a.



O mistério da afinidade

consiste na inexistência

das resistências ao outro,

mesmo quando haja discordância.

Isso não deriva apenas de afeto.

Quantas vezes há afeto

entre as pessoas sem, porém,

a aceitação natural,

espontânea e prévia?



Verifique nas amizades

tidas e vividas ao logo da vida,

o que delas restou.

Haverá muita vivência,

boa e má.

Raramente, porém,

restará a amizade...



Com os anos, vão se

tornando escassas as amizades

que atravessaram o

terreno íntimo que lhes é próprio

sem arranhões e sem mágoas,

restando, como fruto,

após ingentes experiências

humanas e existenciais,

apenas (e já é tanto...)

a amizade.

Amizade é o que resta da amizade.

Se o que resta de uma amizade

é amizade, então amizade é.

Da verdadeira!